sábado, março 03, 2007

Necessidade Fisiológica, Psicótica Diagnosticada & Selvageria.

O telefone toca. O fulano me chama pra tomar um drink. Ao fundo, barulho de gotas d'água caindo numa pia de inox.

Audição aguçada, mas teimosa.

- Te ligo de volta em uma hora, querido.



Preciso de diagnóstico.



Mal sabe a criatura que meu ânimo foi embora, privada abaixo. Dor de barriga das grandes depois do porre de ontem. Pra completar o azar dele - e do menino que precisa de transplante de medula urgente - os aeroportos brasileiros não funcionam mais.



As guimbas de cigarro lotam todos os cinzeiros espalhados pelo meu quarto colorido - verde abacate, laranja e lilás. Um amigo diria que é o quarto de uma princesa em decadência.

É muito, babe.

Cinzas voam na hora que ligo o ventilador de teto branco encardido e se juntam aos farelos dos biscoitos das crianças no chão, e aos meus papéis inúteis e livros sobre a mesa. Roupas jogadas, espalhadas em cima da cama, das prateleiras. Calcinhas sujas, mamadeiras sem lavar há três dias. Duas xícaras de café frio, uma de café quente. Um frasco de repelente, tesoura de unha, alicate de cutícula e esmalte vermelho. Olho pra tudo isso e me dá ânsia de vômito, preguiça também.



Em algum lugar do orkut: "somos involuídos."



Não estou afim de me embelezar e sair com o fulano. Pra falar a verdade, nem afim de tomar banho estou.

Num sábado qualquer, ele perguntou o que espero de um encontro nosso. Um drink? Um café? Uma trepada? Um drink e uma trepada? Aí gozou, e não consegui mais ver seu rosto de menino da FEBEM. Lambuzou toda a webcam. Melhor. Assim não tive que responder enquanto babava por sua punheta.

Um dos cretinos mais deliciosos que já vi.

Sentidos e sentimentos.



Não quero pensar no que vai ser. Nem com ele, nem com ninguém.

Sempre digo isso: quero sentir, me permitir. Se for bom, ótimo. Se não, me fodo sozinha, até encontrar outro.

É que meus dedos são bem ágeis.



Está na cara que espero um cara. Mas, na verdade, não sei se é ele, ou aquele da semana retrasada. Esse, trata o amor como um negócio: tenta analisar, avaliar, calcular. Depois supõe o resultado, lucros e prejuízos do investimento.



Perdeu, mané.



Pelo menos, o fulano é intenso. Se amar, amou.

Sabe que pode ser mais feliz. E goza gostoso. Senti o cheiro daqui, assim como ouvi as gotas d'água caindo na sua pia de inox.





Está ali, guardado, o que sobrou do meu investimento. O resto do vinho que comprei pra tentar seduzir o outro, da semana retrasada, na praia. O que escolhi.

Sério, caía uma chuva fina que eu nem sentia, muito menos ele.

Pelo menos, durante um longo tempo.

Maré alta.

Reluzia nas pedras e mar o amarelo da orla.

Sereias e feiticeiras.

"Sim, foi bom. Mas, e aí?"- o maior de todos os cretinos.



(con)gelado.



Amor e dinheiro jogados fora.



Esses caras enchem a boca pra falar de amor. "meu coração é seu, quero viver só pra te amar." – como são bonzinhos. Eles amam de verdade, gente. E, pra completar, são pra lá de poéticos. Ha-ha.



A sorte é que ainda consigo ser uma puta de marca maior, e não fico magoada por qualquer bobagem.

Puta e má.

Sorte do sujeito de não ter sentido o gosto da fúria de uma fêmea rejeitada, como Bill sentiu.



Durante essa semana, na segunda-feira, joguei três camisinhas usadas, sabor morango, do 11º andar de um prédio em Copacabana. Elas caíram ao lado de um Sr. que lia o jornal sentado num banco, debaixo de uma amendoeira. Ele olhou pro saquinho transparente onde estavam as camisinhas, levantou e foi embora. O que será que ele pensou?



Eu queria que o mundo soubesse que foi uma trepada bem boa. Mas ainda falta alguma coisa. E quando percebo isso, me dá vontade de trepar mais pra tentar encontrar o que falta.

Alta rotatividade.

Sempre a mesma história.

Ciclo vicioso, cadeia alimentar.

Necessidade.

Eu como o Rafael, que come a Rafaela, que come o Paulo, que come a Samatha, que come o Rafael, que me come, e pra fechar, dou uma boa chupada no Paulo. Que cospe na minha cara e me chama de vaca porque descobriu que eu e Rafael nos comemos.

Assim eu (g)amo.



Vertigem e voragem.



Meu ar condicionado quebrou, e o ventilador de teto é péssimo. O calor aumenta, e com esse vento quente e seco, meus lábios começam a rachar.

Ponto pro HIV.



Tenho andado em casa só de calcinha por causa do calor.

Atendo a porta assim, quase nunca é alguém interessante. Na maioria das vezes, só o vizinho pedindo um favor. Quando é algum peão, dá pra fantasiar.



Pego um cálice e bebo o resto do maldito vinho, gostoso. Penso em sair, dar umas voltas e beber um pouco mais. Tem um barzinho bacana aqui perto; bomsom. Mas mais uma trepada pra minha lista infinita não está nos meus planos, pelo menos, hoje não. E é sempre isso que acaba acontecendo.



A Marília diz que não sou mais sua estrunchadora predileta .

Parei de contar, não sei quantas fodas já dei na minha vida. É melhor beber o vinho, escrever um pouco, e deitar na minha cama ouvindo Body and Soul, e Lamento do ensaio pianístico do Luiz de Simone. Encharcar meu corpo com um hidratante bem gostoso, ficar cheirando a chocolate.

Carinho em mim.

E com o cálice de vinho na mão, recosto nas almofadas felpudas da minha cama. Acostumei com o escuro, não acendo mais as luzes. Tenho a sorte de ter uma janela bem grande no meu quarto. Vejo muito céu.

E o balé das árvores.

A luz da lua me deixa mais bonita, e mais triste.

Hoje, Cat Power do Paulo Castro me inspira. O blues da Carol Custódio, também.

Durante algumas semanas não chorei.

Em outras chorei demais.

Suavidades selvagens.

Quem vê?



Quero pisar em corações. Pisar no lixo. Misturar tudo, fazer de tudo uma coisa só. Minhas mancadas são grandes. As dos cretinos são bem maiores. Rosas são compradas por mim, pra mim. Tenho paixão por girassóis, por mim, pra algum alguém. Tenho um afilhado e uma cama Kingsize. Respiro amor, e talvez morra intoxicada. Por isso, não protejo seu nome, nem o meu. Sempre o foda-se. Quero destruir todos os CD's da Billie Holliday e cortar os dedos do pianista.

Não vai passar, não quero a alvorada.

Quem viu?



O exagero agora é meu.

5 Comments:

Anonymous E. said...

O exagero é nosso!
Foda demais, logo após o eclipse.

Beijo.

21:37  
Blogger Cristiano Contreiras said...

do cotidiano comum à excentricidade do dia-dia?

02:02  
Anonymous manoela afonso said...

garota! que garota! às vezes vivo isso tudo, só em pensamento... sinto que nasci pra decadência, ela realmente me fascina, mas ñão sei por que tenho medo... minha safadeza é extremamente íntima hahaha, bjão, cheguei aqui pela carol :)

18:27  
Blogger ?Silvia Daiane? said...

UAU! Mulé!!!
Gostaria de aprender a ser tão "puta" qto vc... Mas de vez em quando tenho uns rompantes. rs.
Adoro seu textos!
bj
E com certeza te visitarei no seu novo endereço.

14:02  
Blogger Nana Magalhães said...

Este comentário foi removido pelo autor.

12:57  

Postar um comentário

<< Home